Justiça libera retomada de obra em prédio de luxo construído sem licença no Itaim Bibi após três anos de embargo

SP2 noticiou em 2023 a construção do prédio de luxo sem autorização no Itaim Bibi A Justiça de São Paulo autorizou a retomada das obras do edifício de l...

Justiça libera retomada de obra em prédio de luxo construído sem licença no Itaim Bibi após três anos de embargo
Justiça libera retomada de obra em prédio de luxo construído sem licença no Itaim Bibi após três anos de embargo (Foto: Reprodução)

SP2 noticiou em 2023 a construção do prédio de luxo sem autorização no Itaim Bibi A Justiça de São Paulo autorizou a retomada das obras do edifício de luxo construído sem alvará de execução na Avenida Leopoldo Couto de Magalhães, no Itaim Bibi, Zona Oeste da capital. A decisão foi tomada após a construtora apresentar documentos que comprovam a regularização do empreendimento e o pagamento de uma multa de R$ 29,4 milhões. A juíza Ana Carolina Gusmão de Souza Costa entendeu que não há mais fundamento para manter a paralisação física da obra, mas manteve proibida a comercialização e propaganda das unidades em decisão anterior. A magistrada definiu que a liberação depende da apresentação do Certificado de Conclusão da obra à Justiça ou de manifestação técnica "inequívoca" da prefeitura nesse sentido. O empreendimento ganhou notoriedade em 2023 após vir à tona que seus 19 andares haviam sido erguidos sem a autorização em uma das regiões mais valorizadas da cidade. Na época, a Prefeitura de São Paulo embargou a obra, aplicou multas superiores a R$ 2,5 milhões à construtora e ingressou na Justiça pedindo a demolição do prédio. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) chegou a defender publicamente a derrubada da edificação. Prédio de luxo andares foi construído na Zona Oeste de SP sem autorização da prefeitura Reprodução/TV Globo A regularização do empreendimento só avançou após a construtora resolver a principal pendência urbanística apontada pela prefeitura desde o início do caso: a ausência dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos exigidos para a construção de prédios maiores do que a regra normal permite na região da Operação Urbana Faria Lima. Segundo informações prestadas pelo município à Justiça, a empresa apresentou a Certidão de Pagamento da Outorga Onerosa em Cepac e também comprovou o pagamento de uma multa de R$ 29,4 milhões, valor correspondente a 45% do preço desses títulos. Após a análise do processo administrativo, aberto em 2025, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento concluiu que as irregularidades urbanísticas haviam sido sanadas e emitiu o Certificado de Regularização, além dos alvarás de aprovação e execução das obras de reforma. Localizado a 300 metros da Faria Lima e com um dos metros quadrados mais caros da capital paulista, o edifício St. Barths Itaim começou a ser construído anos antes da descoberta da irregularidade. Imagens do Google Street View mostraram que havia placa anunciando o empreendimento em 2015. Em 2018, as obras já estavam em andamento e, em março de 2020, a estrutura principal do prédio já havia sido erguida. Quando veio à tona a denúncia de que a obra ocorrera sem alvará, o edifício já estava praticamente concluído. Além do embargo, a administração municipal aplicou multas superiores a R$ 2,5 milhões contra a construtora. Em reunião com promotores, representantes da empresa admitiram a irregularidade e afirmaram que não haviam adquirido os títulos urbanísticos exigidos para construir na região porque os valores cobrados eram considerados elevados. Em junho de 2023, a Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público ingressaram na Justiça pedindo a demolição do prédio e a paralisação das vendas das unidades. O argumento era que a construção havia sido executada sem alvará e sem a necessária fiscalização relativa à segurança e estabilidade estrutural. O então juiz responsável pelo caso, Otavio Tiotti Tokuda, negou o pedido de demolição por considerar a medida irreversível, mas determinou que o prédio permanecesse desocupado e que fossem suspensas as vendas e a divulgação comercial dos apartamentos. Na época, o prefeito Ricardo Nunes defendeu a demolição do edifício e afirmou ser "muito estranho" que uma construção daquele porte tivesse sido erguida sem ninguém perceber. A prefeitura abriu sindicâncias para apurar a atuação de servidores municipais e, em 2024, um servidor foi demitido por não fiscalizar adequadamente o empreendimento.